24/01/2012
Fogo amigo
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Por Midnight Flyer,
O que você faria se fosse traído? Some a isso o fato de sequer ter ouvido falar em Nessahan Alita. E, se ainda por cima, sua família (mais especificamente sua mãe) soubesse disso e te encorajasse a continuar com a digníssima que te enganou?
Situação estranha essa. Estranha e incomum, principalmente em se tratando de família católica, aparentemente conservadora.
Sempre se cogitou sobre o porquê dessa atitude da família. Esforço-me bastante para conter a tentação de pensar que foi pelo fato de ela ser muito bonita. Tão bonita que a mãe possa, talvez, ter imaginado que o filho, em suas limitações, nunca fosse conseguir outra parecida. Por incrível que pareça, a análise da situação leva a crer que essa seja a hipótese mais plausível.
Estavam juntos há muito tempo, inclusive já noivos. Eis que de repente um conhecido dele da época de infância entra na vida do casal. Ela estudava num colégio onde esse, por assim dizer, colega do noivo trabalhava. Foi nesse lugar que se deu o primeiro contato.
Um episódio isolado ilustra bem o comportamento do noivo durante a traição da companheira: numa festa onde estavam os três, ele percebeu o interesse dela no outro. Irritado, o primeiro teria mandado a namorada ir atrás dele. Ela foi. Ele foi atrás dela e a trouxe de volta puxando-a pelo braço.
Hoje, graças principalmente aos esforços da mãe dele, eles continuam juntos, embora não casados.
O que mais chama a atenção nesta história não é a traição em si, nem a postura leniente do noivo, mas o comportamento de uma pessoa que, pelo menos em teoria, deveria saber o que é melhor para o filho.
Mães controladoras geralmente pecam pelo excesso. Sem dúvida, essa é uma das principais causas da atual crise da masculinidade. Filhos acostumados a ter tudo dificilmente crescem preparados para enfrentar as tribulações inerentes à vida afetiva de qualquer indivíduo heterossexual do sexo masculino nestes tempos de feminismo e relativização de valores. Os resultados desse estilo de criação dos filhos não são bons. Neste caso, fora o fato de o noivo em questão ter assinado o atestado de corno manso controlado pela mãe e pela futura esposa pelo resto da vida, não houve nada de mais grave, mas, como já foi aludido, essa situação é incomum. Geralmente isso acaba em crime passional.
Esse texto não deve ser entendido como uma crítica às mães que querem o melhor para seus filhos. O problema principal reside no fato de que a maior parte de nós não foi ensinada a lidar com contrariedades, principalmente no âmbito emocional. É preocupante constatar que, para começar a evoluir como homens, a grande maioria precisa passar por uma decepção enorme, muito possivelmente a maior em toda a vida.
No livro O Jogo Neil Strauss propõe que a causa principal das inseguranças masculinas no campo afetivo reside no fato dos pais terem falhado na tentativa de socializar os filhos. E qual seria então a origem dessa falha senão esse instinto superprotetor que mais atrapalha que ajuda?
Discorrer acerca das causas que levam a esse tipo de comportamento dos pais não é o objetivo dessas linhas, mas não é tão simples eleger um culpado nesses tempos em que o fim da inocência, de tão brutal, gera ressentimentos mútuos entre homem e mulher, chegando ao ponto de ninguém mais se preocupar se as próprias atitudes vão machucar o outro.

