20/12/2011
O romantismo, a misoginia e o meio-termo
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Por Ike D. Madi,
Já fui um crente no amor romântico e me comportava de uma maneira ridícula. Queria a aprovação das mulheres a qualquer custo e chegava a esquecer de minha própria satisfação. Eu recompensava a mulher gratuitamente por acreditar que esse era o mecanismo adequado. Caso ela me rejeitasse era por ela ser a mulher errada pra mim. Pensava: "Um dia ainda encontro uma que saiba dar valor no amor".
Apanhei. Apanhei. Apanhei. Depois disso apanhei mais um pouco. Acordei (ou achei que tinha acordado).
Li Nessahan Alita , Esther Vilar, Arthur Schoppenhauer, etc... Passei a ter rancor das mulheres em geral. Eu as responsabilizava pelo meu sofrimento passado. As enxergava como detratoras e falsárias prontas para explorarem o elo masculino fraco e me ludibriar com mentiras e me fazer sofrer. Era ríspido. Pregava a inferioridade feminina aos quatro ventos. Tinha meus "mantras" pessoais tais como: "Mulher é tudo vagabunda/ Mulher só curte dar para cafajeste / Mulher só curte dinheiro" e assim fui seguindo.
Por mais que me sentisse relativamente seguro das artimanhas femininas eu nunca estava realmente satisfeito. Eu enxergava que meu rancor e acidez eram sintomas de uma insatisfação em saber lidar não só com elas, mas com os meus próprios impulsos e emoções no departamento. E definitivamente minha misoginia não me fazia avançar em lidar com elas. E ser um eremita social em relação a mulheres fazia eu me sentir como se estivesse perdendo uma oportunidade de experimentar e me desenvolver pessoalmente. Eu não estava ok comigo mesmo.
Apanhei. Apanhei. Apanhei. Depois disso apanhei mais um pouco. Acordei (ou achei que tinha acordado).
Li Nessahan Alita , Esther Vilar, Arthur Schoppenhauer, etc... Passei a ter rancor das mulheres em geral. Eu as responsabilizava pelo meu sofrimento passado. As enxergava como detratoras e falsárias prontas para explorarem o elo masculino fraco e me ludibriar com mentiras e me fazer sofrer. Era ríspido. Pregava a inferioridade feminina aos quatro ventos. Tinha meus "mantras" pessoais tais como: "Mulher é tudo vagabunda/ Mulher só curte dar para cafajeste / Mulher só curte dinheiro" e assim fui seguindo.
Por mais que me sentisse relativamente seguro das artimanhas femininas eu nunca estava realmente satisfeito. Eu enxergava que meu rancor e acidez eram sintomas de uma insatisfação em saber lidar não só com elas, mas com os meus próprios impulsos e emoções no departamento. E definitivamente minha misoginia não me fazia avançar em lidar com elas. E ser um eremita social em relação a mulheres fazia eu me sentir como se estivesse perdendo uma oportunidade de experimentar e me desenvolver pessoalmente. Eu não estava ok comigo mesmo.
Foi quando eu enxerguei que, na minha perspectiva, ser misógino era uma falácia tal como ser um romântico incurável.
Enxerguei que ambos os caminhos advinham de uma compreensão errada da situação.
O romântico é controlado pela crença do amor perfeito e ideal. O misógino é controlado pelo medo de sofrer e pelo rancor do que já sofreu. Nenhum dos caminhos me levava a uma compreensão correta, muito menos a satisfação pessoal.
Foi quando resolvi buscar o meio-termo.
Abandonei gradativamente tudo o que minha história de vida havia me ensinado sobre amor e mulheres, resolvi experimentar e aprender por mim mesmo. Simultaneamente resolvi abandonar meus mantras misóginos e buscar conhecer cada mulher individualmente, observar como elas se comportam, sem generalizar ou facilitar conclusões antes da horaEu não era mais um moleque, tinha aprendido com meus erros.
Foi aí que percebi que mulher é gente, assim como nós. Não são anjos perfeitos de amor ideal e nem lobos prontos a arrancar corações. São gente. Fazem coisa boa e fazem cagada. Não há monstros, não há anjos.
Cada uma tem uma história de vida e aspectos específicos que controlam e ditam a maneira como se comportam. Não são idênticas, podem adotar certas posturas similares (muitas por fatores biológicos ou culturais dominantes). Reconheça isso. Dá trabalho,foi aí que entendi meu motivo de ser misógino no passado: É fácil! Não dá trabalho! É um seminário de reforçamento coletivo onde não precisamos nos arriscar nem fazer nada!
O meio-termo consiste em adquirir experiência. Saber qual é o momento de se impor e o momento de ceder. É entender quais os parâmetros justos que um homem deve adotar ao se relacionar, sem exageros. Pensando num bem estar geral. É se relacionar de maneira segura, sem se preocupar em adotar uma postura ou seguir um modelo, seja ele romântico ou misógino.
Enxerguei que ambos os caminhos advinham de uma compreensão errada da situação.
O romântico é controlado pela crença do amor perfeito e ideal. O misógino é controlado pelo medo de sofrer e pelo rancor do que já sofreu. Nenhum dos caminhos me levava a uma compreensão correta, muito menos a satisfação pessoal.
Foi quando resolvi buscar o meio-termo.
Abandonei gradativamente tudo o que minha história de vida havia me ensinado sobre amor e mulheres, resolvi experimentar e aprender por mim mesmo. Simultaneamente resolvi abandonar meus mantras misóginos e buscar conhecer cada mulher individualmente, observar como elas se comportam, sem generalizar ou facilitar conclusões antes da horaEu não era mais um moleque, tinha aprendido com meus erros.
Foi aí que percebi que mulher é gente, assim como nós. Não são anjos perfeitos de amor ideal e nem lobos prontos a arrancar corações. São gente. Fazem coisa boa e fazem cagada. Não há monstros, não há anjos.
Cada uma tem uma história de vida e aspectos específicos que controlam e ditam a maneira como se comportam. Não são idênticas, podem adotar certas posturas similares (muitas por fatores biológicos ou culturais dominantes). Reconheça isso. Dá trabalho,foi aí que entendi meu motivo de ser misógino no passado: É fácil! Não dá trabalho! É um seminário de reforçamento coletivo onde não precisamos nos arriscar nem fazer nada!
O meio-termo consiste em adquirir experiência. Saber qual é o momento de se impor e o momento de ceder. É entender quais os parâmetros justos que um homem deve adotar ao se relacionar, sem exageros. Pensando num bem estar geral. É se relacionar de maneira segura, sem se preocupar em adotar uma postura ou seguir um modelo, seja ele romântico ou misógino.
E sim, isso é valiosíssimo pro desenvolvimento pessoal.
Negar esses relacionamentos me parece cômodo. Criar ideologias que embasem esse tipo de comportamento de "não se relacionar" é igualmente cômodo. Encontrar pessoas que sofreram de maneira similar e convencê-las a se absterem de relacionamento é cômodo.
É muito fácil e arriscado nos acomodarmos.
Se buscarem suas próprias conclusões, despidos de idéias pré estabelecidas eu afirmo que um crescimento grande os aguarda.
O romantismo, a misoginia e o meio-termo
2011-12-20T04:00:00-03:00
Shâmtia Ayômide
Ike D. Madi|Relacionamentos|
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